sábado, 31 de outubro de 2009

Lesões da Coifa dos rotadores

A coifa dos rotadores é um conjunto de quatro músculos periarticulares que puxam superior e internamente a cabeça do úmero na direcção da cavidade glenoideia. Fazem parte desde grupo de músculos: Supra-espinhoso, Infra-espinhoso, Pequeno redondo e Sub-escapular.


imagem: www.clinicajoelhoombro.pt


A Coifa dos Rotadores funciona como uma convergência de tendões, em redor da cabeça do úmero. Os tendões dos quatro músculos unem-se com a cápsula articular da articulação gleno-umeral. As suas principais funções são:


  • Centralizar e baixar a cabeça umeral;
  • Potencializar as rotações da articulação glenoumeral;
  • Estabilizar a articulação glenoumeral;
  • Proporcionar um compartimento fechado importante para a nutrição articular.

Uma lesão da coifa dos rotadores implica a lesão de um ou mais destes músculos ou dos seus tendões, habitualmente do músculo supra-espinhoso.

Assim, passo a apresentar algumas lesões relacionadas com a coifa dos rotadores:

  • Instabilidade do ombro
  • Síndrome de impacto
  • Síndrome do pinçamento
  • Rotura da coifa (total ou parcial)
  • Bursite Sub-acromial, causadas por: queda, golpe no ombro ou ruptura do supra-espinhal, movimentos repetitivos e inflamação do tendão subjacente
  • Tendinite calcificante
  • Capsulite adesiva

De acordo com a lesão apresentada e com o seu estadio de evolução, poderemos ter diferentes tipo de tratamentos, por exemplo:



Fisioterapia

No caso de tendinites, a fisioterapia associada com terapia anti-inflamatória permite a recuperação de um número elevado de casos.

No caso das roturas, os doentes idosos muitas vezes são exclusivamente tratados através de Fisioterapia, pois neste grupo etário, o objectivo principal a atingir é o controle da dor e a melhor funcionalidade.

Em doentes mais jovens, que habitualmente serão submetidos a cirurgia, a Fisioterapia tem a função pré-operatória de recuperar as amplitudes articulares passivas, do controlo da dor e do quadro inflamatório.



Infiltração

Nas tendinites, a infiltração de corticoesteróide no espaço sub-acromial, tem uma das suas indicações principais. Embora muitas vezes associada pela voz popular com efeitos deletérios, quando correctamente executada no espaço extra-articular, muito diluída com anestésico, e em casos adequadamente seleccionados, pode obter a completa resolução dos sintomas.



Cirurgia

Normalmente só se recorre à cirurgia caso as outras duas não tenham surtido resultados, a não ser que a lesão tenha sido traumática e só a cirurgia seja indicada.
A cirurgia pode ser por atroscopia ou por cirurgia aberta. As vantagens de recorrer à artroscopia são:

  • Preservar a integridade trapézio-deltóideia;
  • Tratar lesões intra-articulares;
  • Reabilitar mais rapidamente.
Recorre-se à cirurgia aberta especialmente em roturas muito extensas e com retracção do tendão.


Bibliografia
Livro: Anatomia e Fisiologia
Livro: Técnicas de reabilitação musculoesquelética
Web: www.vitorcaine.com
Web: www.clinicajoelhoombro.com

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Escolioses


A escoliose é uma deformidade complicada que se caracteriza por uma curvatura lateral e rotação vertebral. Do lado côncavo da curva as costelas aproximam-se, do lado convexo as costelas afastem-se.

Á medida que os corpos vertebrais rodam, os processos espinhosos desviam-se para o lado côncavo e as costelas acompanham a rotação das vértebras. As costelas são empurradas posteriormente pelo lado convexo, causando a “corcunda” costal característica observada na escoliose torácica. Pelo lado côncavo, as costelas são empurradas anteriormente.


As escolioses podem ser classificadas da seguinte forma:

1. Escoliose não-estrutural:

  • Escoliose postural: frequente em adolescentes, as curvas são leves e desaparecem por completo com a flexão da coluna vertebral ou bem com o decúbito.
  • Escoliose compensatória: o diferente comprimento dos membros inferiores levam a uma obliquidade pélvica e secundariamente a uma curva vertebral.

2. Escoliose estruturada transitória:

  • Escoliose ciática: secundária a uma hérnia discal, pela irritação das raízes nervosas. Com a cura da lesão desaparece a curva
  • Escoliose histérica: requer tratamento psiquiátrico
  • Escoliose inflamatória: em casos de apendicite ou bem abscessos perinefrítico

3. Escoliose estrutural (70 a 80% dos casos)

  • Idiopática
  • Congénita
  • Neuromuscular (Ex. poliomielite, paralisia cerebral, seringomielia, amiotonia congénita, ataxia de Friedreich)
  • Neurofibromatose
  • Distúrbios mesenquimiais (Ex: Sindrome de Marfan, Sindrome de Morquio, Artrite reumatóide, osteogénese imperfeita)
  • Traumatismo (Fracturas, Irradiação, Cirurgia)Escoliose não-estrutural:

Existem diferentes tipos de curvas e é esta diferença que determina o tipo de tratamento mais apropriado. A direcção da curva é designada em conformidade com a sua convexidade e cada curva única (C) ou dupla (S) deve receber uma designação.




Avaliação

Uma as provas usadas tradicionalmente para a verificação da existência ou não de escolioses é a prova de flexão de Adams.
A avaliação radiográfica mais usada para a magnitude das curvas é o método de Cobb. A primeira etapa consiste me decidir que vértebras são as vértebras terminais da curva. Essas vértebras serão os limites inferior e superior da curva que se inclina mais acentuadamente para a concavidade da curva. Depois é traçada uma linha ao longo da placa terminal inferior e outra ao longo da placa terminal superior. O ângulo mais importante é aquele entre essas duas linhas.


Tratamento

O desequilíbrio muscular que existe como resultado de uma escoliose não idiopática pode ser tratado com o uso de exercício para prevenir qualquer agravamento adicional da escoliose além daquela doença que já a causou.
No entanto é importante que este desequilíbrio seja tratado por que sabe, pois um mau trabalho muscular ainda pode agravar mais o quadro e as queixas existentes.


Importante:

  • Os exercícios simétricos não devem ser tentados.

  • Deve-se alongar os músculos ou grupos musculares mais fortes e fortalecer os antagonistas/sinergistas.

  • Os indivíduos que estão a desenvolver cifoescoliose devem evitar os exercícios que promovam a extensão das costas realizados em decúbito ventral, pois estes fortalecem ainda mais a musculatura extensora lombar.

  • Evitar posicionamentos incorrectos, pois estes podem levar ao desenvolvimento/ agravamento da escoliose.



Fonte: Brody, H.T.; Exercicio Terapeutico: Na Busca de Função; 2001

Imagens: http://www.cto-am.com/




domingo, 6 de setembro de 2009

Como abordar pessoas com deficiência física?

É certo que quase todos nós já nos deparamos com uma pessoa com deficiência que necessitasse de ajuda. No entanto, nem sempre sabemos como devemos agir.

O mais importante é não nos esquecermos que as pessoas com deficiência física são pessoas normais, mas que tiveram a infelicidade de perder alguma capacidade, como por exemplo: locomoção, visão, audição, …

No entanto o que difere entre as pessoas com deficiência física e as pessoas sem ela é o modo como desempenham as suas actividades diárias, quer em casa, quer no trabalho, ou mesmo durante o seu tempo de lazer.

São várias as causas para muitas vezes não se saber como se deve agir. O desconhecimento é uma delas, mas também o preconceito e/ou a discriminação que ainda existem e estão bastante presentes na nossa sociedade – infelizmente!

Assim, aqui ficam algumas dicas de como abordar e agir com pessoas com deficiência física:



Pessoas que se locomovam em cadeiras de rodas

  • Converse com naturalidade, fale a respeito de todos os assuntos, mesmo aqueles em que o deficiente não pode actuar fisicamente, como algumas modalidades desportivas, danças, etc...
  • É importante saber que para uma pessoa sentada é incomodo ficar a olhar para cima por muito tempo. Assim, quando estiver a falar com uma pessoa em cadeira de rodas, se possível fiquem com os olhos ao mesmo nível.
  • Não tente ajudar o deficiente sem que ele peça ajuda – isso pode significar pena ou super protecção.
  • Nunca empurre a cadeira de rodas, sem que ele peça.
  • Nunca movimente a cadeira de rodas sem permissão da pessoa, a não ser que você tenha uma grande proximidade pessoal ou uma relação estreita.
  • Caso tenha curiosidade sobre o defeito físico, pergunte com naturalidade, sem se lamentar sobre o que gerou o defeito físico ou o que isso traz de dificuldades no dia a dia, porque, só assim, a sociedade ficará esclarecida e informada sobre o assunto, diminuindo o preconceito, a discriminação e quebrando tabus e inverdades.
  • Caso queira convidar o deficiente para visitar algum lugar, eventos sociais, restaurantes, cinemas, viagens, etc, nunca diga que o lugar é impossível para ele ir. Se conhecer o local, o acesso, explique quais são as dificuldades, facilidades e dê a sugestão de pesquisar sobre os assuntos, para que ele analise os prós e contras e decida o que fazer, sem lhe causar transtornos e às pessoas que o rodeiam.

Como agir com pessoas cegas ou com deficiência visual

  • Nem sempre as pessoas cegas ou com deficiência visual precisam de ajuda, mas se encontrar alguma que pareça estar em dificuldades, identifique-se e ofereça auxílio. Nunca ajude sem antes perguntar como faze-lo.
  • Caso a sua ajuda como guia seja aceite, coloque a mão da pessoa no seu cotovelo dobrado.
    É importante avisar, antecipadamente, a existência de degraus, pisos escorregadios, buracos, e outros obstáculos durante o trajecto.
  • Para ajudar a pessoa cega a sentar-se, deve guiá-la até à cadeira e colocar a mão dela sobre o encosto da cadeira, informando se esta tem braço ou não. Deixe que a pessoa se sente sozinha.
  • Na presença de uma pessoa cega fale em tom normal, a menos que a pessoa tenha deficiência auditiva, não faz sentido gritar.
  • Por mais tentador que seja acariciar um cão-guia, lembre-se de que estes cães têm a responsabilidade de guiar um dono. Desta forma o cão nunca deve ser distraído do seu dever de guia.
  • Em convívio social ou profissional, não exclua as pessoas com deficiência visual das actividades a desenvolver. Deixe que elas decidam como podem ou querem participar.
  • Quando se ausentar, não esqueça de avisar ou despedir-se do deficiente visual.

Como agir com pessoas surdas ou com deficiência auditiva

  • Quando quiser falar com uma pessoa surda, se ela não prestar atenção, acene ou toque-lhe no braço.
  • Fale de maneira clara, pronunciando bem as palavras. Use um tom de voz normal, a não ser que lhe peçam para falar mais alto. Gritar nunca!
  • Fale de frente com a pessoa, não de lado ou atrás.
    Faça com que a sua boca seja bem visível. Gesticular ou segurar algo em frente à boca torna impossível a leitura labial.
  • Quando falar com uma pessoa surda, tente ficar num lugar iluminado, evite ficar contra a luz.
  • Se souber alguma linguagem de sinais tente usá-la, se a pessoa tiver dificuldade em entender avisará.
  • Enquanto estiver a conversar, mantenha sempre contacto visual, se desviar o olhar a pessoa pensará que a conversa terminou.
  • Se for necessário, comunique-se através de bilhetes. O importante é comunicar.
  • Quando a pessoa surda estiver acompanhada de um intérprete, dirija-se à pessoa surda, não ao intérprete.




sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Escaras de Decúbito

As escaras de decúbito, também conhecidas por úlceras de pressão, consistem em úlceras que se desenvolvem na pele de doentes que estão acamados, inconscientes ou imobilizados por períodos prolongados de tempo. São frequentes em doentes com acidentes vasculares cerebrais ou lesões vertebro-medulares que podem levar à perda de sensibilidade. A humidade constante da pele em doentes com incontinência urinária (uso de fralda) é também um factor de risco.

Estas lesões são causadas por pressão não aliviada que resulta em danos nos tecidos subjacentes (tecido subcutâneo, músculo, articulações, ossos).
As úlceras de pressão geralmente ocorrem nas regiões de proeminências ósseas e são graduadas em diferentes estágios de evolução de acordo com os danos observados nos tecidos.
Quando os doentes passam demasiado tempo na mesma posição exerce pressão contínua sobre pontos específicos denominados como pontos de pressão. Estes pontos estão identificados e são mais sensíveis ao aparecimento de escaras, pelo que devem ser periodicamente inspeccionados. Na figura abaixo podemos observá-los:


Fonte: Guia para prevenção de Úlcera de Pressão ou Escara. Orientação para pacientes adultos e famílias



Como prevenir ou seu aparecimento e/ou evolução?

  1. A pele deverá ser limpa no momento que se sujar ou em intervalos de rotina.
  2. Diminuir os factores ambientais que são propícios a pele seca como: humidade baixa (menos que quarenta por cento) e exposição ao frio.
  3. Evite massagens nas proeminências ósseas. As evidências actuais sugerem que massagem pode causar mais danos.
  4. Minimizar a exposição da pele à humidade devido à incontinência urinária, perspiração ou drenagem de feridas.
  5. As lesões da pele devido a fricção e força de cisalhamento devem ser minimizadas através de um posicionamento adequado e uso de técnicas correctas para transferência e mudança de decúbito. Recomenda-se também que os pacientes não sejam "arrastados" durante a movimentação mas que sejam "erguidos" utilizando-se o lençol móvel.
  6. Se existe um potencial para melhorar a mobilidade do indivíduo deve ser instituído um programa de reabilitação física.
Posicione correctamente o doente. Observe as imagens/indicações que se seguem:


Como deitar um doente de costas (ex: hemiplegia direita)



Como deitar um doente de lado

Indicações:

  1. Altere a posição do doente pelo menos a cada duas horas se não houver contra-indicações relacionadas com as condições gerais do mesmo.
  2. Recorra ao uso de almofadas para manter as proeminências ósseas (calcanhares, joelhos) longe de contacto directo um com o outro ou com a superfície da cama.
  3. Quando a posição lateral é usada no leito, evite posicionar diretamente sobre o grande trocânter do fêmur mas sim em uma posição lateralmente inclinada de 30º.
  4. Limite a quantidade de tempo que a cabeceira da cama fica mais elevada (elevação máxima de 30º), tendo em conta a situação clínica do doente.
  5. Para doentes que podem auxiliar na movimentação use equipamentos auxiliares como o trapézio.
  6. Qualquer pessoa em risco para desenvolver úlcera de pressão, deve evitar ficar sentada ininterruptamente em qualquer cadeira ou cadeira de rodas. Os indivíduos que são capazes, devem ser ensinados a levantar o seu peso a cada quinze minutos para fazer a descompressão na região isquiática.


A que tipo de Ajudas Técnicas pode recorrer:



Colchões anti-escaras




Almofadas anti-escaras


Calcanheiras



terça-feira, 28 de julho de 2009

Novo tratamento para a Paramiloidose

A ciência está em constante evolução. É com base nesta afirmação, que foi colocada como comentário de um artigo publicado em Dezembro do ano passado, que surge esta nova informação acerca da Polineuropatia Amiloidótica Familiar (Paramiloidose).

Novo medicamento trava progressão da paramiloidose

Há uma nova esperança para os doentes que sofrem de paramiloidose, também conhecida por "doença os pézinhos". Foi descoberto um medicamento - disponível dentro de um ano – que permite travar a progressão da doença.


No ensaio clínico do Hospital de Santo António participaram 74 doentes que sofrem paramiloidose e que se voluntariaram para testar a eficácia do medicamento.

Durante um ano e meio, fizeram parte de um grupo de 128 doentes de sete países que estiveram sob investigação. Os resultados foram positivos, já que o medicamento impediu a doença de progredir em 60% dos casos.

A paramiloidose, também conhecida por "doença dos pézinhos", é hereditária e degenerativa. A causa está numa proteína que tem um erro genético.

Este novo medicamento estabiliza essa proteína e impede o avanço da doença. Contudo, só dentro de um ano é que o medicamento vai estar à disposição dos doentes.

O estudo tem que ser reconhecido pelas entidades competentes e há algumas questões que ainda não estão esclarecidas, como a possibilidade deste tratamento substituir os transplantes.”
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Retirado do Site da SIC

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Prevenção de Quedas em Idosos

imagem:www.mondointerativo.files.wordpress.com


O risco de cair aumenta significativamente com o avançar da idade, o que coloca esta síndrome geriátrica como um dos grandes problemas de saúde pública devido ao aumento expressivo do número de idosos na população e à sua maior longevidade, competindo por recursos já escassos e aumentando a demanda por cuidados de longa duração.


Diversos factores de risco e múltiplas causas interagem como agentes determinantes e predisponentes, tanto para quedas acidentais quanto para quedas recorrentes, impondo aos profissionais de saúde, o grande desafio de identificar os possíveis factores de risco modificáveis e tratar os factores etiológicos presentes.

As quedas nos idosos podem provocar uma série de danos físicos, como traumatismos de tecidos moles e fracturas ósseas, declínio funcional e muitas vezes a morte.

Estes acidentes podem ainda afectar a qualidade de vida dos idosos através de consequências psicossociais, provocando sentimentos de medo, fragilidade, desesperança, perda de controlo e receio de passar a ser dependentes de terceiros. O sentimento de medo e falta de confiança constituem muitas vezes o ponto de partida para uma progressiva deterioração do estado global do idoso através da redução da mobilidade, função e diminuição das actividades sociais e recreativas.

Conhecendo estes aspectos, é fundamental ter pensamento preventivo! Não espere por uma queda para adoptar medidas, tenha cuidados antecipados, prevenindo hoje o que poderá não controlar amanhã!

São aqui referidos alguns factores de risco que poderão contribuir para as quedas nos idosos, bem como pequenas dicas que poderão ajudar a tomar algumas medidas de prevenção:

História de quedas anteriores: por vezes as quedas nos idosos são importantes indicadores de alterações na saúde e declínio funcional, pelo que deve ter em atenção em que contexto aconteceram as quedas.


Diminuição sensorial: com a idade é comum o défice visual, o que requer correcção médica. Certifique-se que a luz em casa é suficiente e adequada para o idoso. Tenha ainda atenção à capacidade auditiva, que deve igualmente ser corrigida.

Perda de capacidade mental: em situações de demência pode ser necessário limitar algumas actividades por motivo de segurança, remover objectos em casa que possam ser perigosos e avaliar a necessidade de apoio nas várias actividades de vida diárias.

Alterações de mobilidade: muitas vezes os idosos têm alterações nos movimentos, o que lhes dificulta a realização das actividades da vida diárias normais, podendo conduzir às quedas. Assim, deve ser avaliada a necessidade de auxiliares de marcha, como bengalas, andarilhos, canadianas, ou alterações em casa, como correcção de sanitários baixos, cama ou banheira, o uso de luzes nocturnas no quarto e casa de banho.

Medicação: é comum os idosos tomarem medicamentos de forma regular e permanente, pelo que se deve tomar especial atenção ao início de novos medicamentos. A poli medicação (4 ou mais medicamentos), ou medicamentos que causem sedação, alteração do equilíbrio, hipoglicémia ou hipotensão, poderão favorecer as quedas.

Alterações urinárias: o idoso poderá sentir necessidade de urinar várias vezes durante a noite e nestes casos, ter uma mesa-de-cabeceira com dispositivos urinários (urinol, arrastadeira), é uma estratégia que pode revelar-se útil, de forma a evitar as frequentes idas nocturnas à casa de banho. Se houver alterações do controlo urinário, pode planear-se um horário de micção frequente e considerar o usos de fraldas apenas quando estritamente necessário.

Hipotensão ortostática: muitos idosos têm hipotensão nas mudanças de posição, especialmente da posição de deitado para sentado, devendo por isso as mudanças de posição ser realizadas lentamente e iniciar a marcha apenas quando se sentir bem, sem tonturas, fraqueza, suores ou indisposição. Se este facto acontecer após iniciar uma nova medicação, poderá ser necessário ir ao médico, para avaliar a necessidade de ajustar a terapêutica.

Consumo de álcool: mesmo em pequenas quantidades pode provocar alterações que conduzem a quedas, já que influencia o equilíbrio e interfere com a acção de medicamentos. Desta forma, o seu consumo deve ser evitado ou, se não estiver clinicamente contra-indicado, consumido com moderação.

Restrição da actividade: o facto do idoso ter algumas limitações físicas e funcionais que aumentam o risco de quedas, não significa que deva permanecer o dia sentado e sem actividade! De facto, o ideal é maximizar as capacidades e potencialidades, pois a restrição da actividade pode relacionar-se com as quedas, uma vez que se favorece a perda de massa muscular, flexibilidade articular e a força. Os idosos devem ser encorajados a andar, realizar actividades diárias, podendo mesmo solicitar um programa de exercício adequado que melhore o equilíbrio e a flexibilidade, que aumente a força e a resistência, bem como a coordenação.

Falta de Aconselhamento a Familiares: Quem tem familiares acamados deve pedir apoio a profissionais de forma a aprender técnicas para a transferência dos idosos, por exemplo da cama para a cadeira e vice-versa, de forma a evitar quedas durante estas actividades. Os técnicos poderão também fornecer estratégias alternativas para realizar algumas actividades diárias em casa, quando se detecta alguma incapacidade funcional.

Viver sozinho: este facto pode aumentar não só o risco de quedas como também as suas consequências, uma vez que o idoso após a queda pode não ter possibilidade de providenciar ajuda.



Em que pode ajudar o Terapeuta Ocupacional?

A casa onde o idoso mora ou permanece frequentemente, pode ser um campo cheio de minas e armadilhas que devem ser identificadas e desactivadas. É desta forma que a intervenção do Terapeuta ocupacional se torna pertinente. São aqui descritas algumas pistas, que foram baseadas na lista para prevenir acidentes em casa do National Center for Injury Prevention and Control of the Centers for Disease Control and Prevention:

Chão:

  • Mude a mobília de forma a desimpedir o caminho.
  • Retire os tapetes do chão, assim como as carpetes, pois se estes não tiverem dupla face ou superfície anti-derrapante, de forma a não escorregar ou tropeçar neles.
  • Se tiver alcatifas certifique-se que não têm pontas soltas.
  • Retire papéis, revistas, livros, sapatos, caixas, cobertores, toalhas ou outros objectos do chão e mantenha-os, pois podem ser a causa de uma queda.
  • Deve fixar os fios na parede (extensões eléctricas, fios de telefone ou fios de candeeiros) de forma a não tropeçar sobre eles.
  • Tenha ainda em atenção se existem superfícies irregulares, como por exemplo tacos levantados.
  • Na necessidade de encerar a casa faço-o com cera não derrapante.


Escadas e degraus:

  • Retire os objectos que tenha nas escadas e mantenha-os longe delas.
  • É aconselhável colocar iluminação no topo e no fundo das escadas e que sejam colocados interruptores em ambos locais podendo ser os interruptores brilhantes para serem mais visíveis.
  • Coloque corrimões dos dois lados das escadas e assegure-se que estão bem fixos.


Cozinha:

  • Remova as coisas que habitualmente utiliza mais vezes, para as prateleiras mais baixas do seu armário.
  • Deve evitar subir aos bancos e escadotes, mas se for inevitável, não substitua o escadote por cadeiras ou bancos, e prefira os escadotes com barras laterais de apoio.


Quarto:

  • Tente colocar uma lâmpada perto da cama que seja fácil de alcançar.
  • Utilize uma luz de presença durante a noite. Existem luzes de presença no mercado que se ligam automaticamente após escurecer.
  • A cama deverá ser firme e de altura adequada que permita a entrada e saída sem grande dificuldade.


Casa de banho:

  • Deve tomar duche e não banho de imersão, de preferência no poliban.
  • Deve colocar um tapete ou outra superfície anti-derrapante dentro e fora do poliban.
  • Colocar barras de apoio na parede que ajudem a entrada e saída do banho, bem como dos lados da sanita.


Acuidade Pessoal:

  • Devem ter-se em atenção alterações ao nível dos pés, nomeadamente unhas demasiadamente longas, calos dolorosos, ou mesmo o uso de calçado inadequado.
  • Os sapatos não devem ter saltos para não prejudicar o equilíbrio, devem ter o tamanho correcto e sola anti-derrapante, devendo evitar os chinelos.
  • A roupa também deve ser confortável e permitir a execução dos movimentos, tendo cuidado com roupa muito comprida, pois o idoso pode tropeçar nela.



adaptado de:www.advita.pt

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Doença de Alzheimer

A Doença de Alzheimer (DA) é a causa de demência mais comum, sendo responsável por cerca de 4 milhões de casos. O risco da doença aumenta exponencialmente com a idade, dobrando a cada cinco anos a partir dos 65 anos de idade. A DA atinge cerca de 50% da população com 85 anos ou mais. Como a população idosa vem crescendo rapidamente nos países desenvolvidos, espera-se que a incidência de DA quadruplique até 2050.


É uma forma de demência devida à morte das células cerebrais que começa por aniquilar a memória e, subsequentemente, as outras funções mentais, determinando completa ausência de autonomia. A doença é frequentemente confundida com arteriosclerose embora não tenha relação com problemas circulatórios.

Muitos casos só são identificados quando a demência atinge um estado avançado. Nesta etapa, o stress das pessoas que cuidam do paciente já é elevado e as opções de tratamento são limitadas.

No início da enfermidade, o doente sofre porque tem consciência das suas limitações e incapacidades. Procura por vezes ocultá-las, manifestando alterações de temperamento e personalidade ou caindo em depressão.

A causa da DA ainda não é conhecida. Existem várias teorias, porém, aceita-se que seja uma doença geneticamente determinada mas não necessariamente hereditária (transmissão entre familiares).

À medida que o mal avança, são os familiares que mais sofrem, assistindo, impotentes, ao declínio mental e físico de alguém que amam. Todos os que vivem em torno do doente acabam por acusar os efeitos desta situação, devidos quer a causas de ordem emocional, quer às inerentes dificuldades económicas.

A doença impõe uma vigilância constante, levando os familiares a confrontarem-se com vários problemas, nomeadamente:
  • Dificuldade de acompanhamento do doente em casa, devidos às obrigações profissionais
  • Despesas elevadas com medicamentos, ajudas técnicas e cuidadores remunerados
  • Resistência de algumas instituições à aceitação dos doentes
  • Incapacidade das instituições que os aceitam de prestarem cuidados adequados
  • Deficiência de formação dos profissionais para cuidarem dos doentes

Quais os sintomas?
No começo são os pequenos esquecimentos, normalmente aceites pelos familiares como parte do processo normal de envelhecimento, que se vão agravando gradualmente.

Para ajudar a determinar quais os sinais de aviso a procurar, a Associação de Alzheimer, elaborou a seguinte lista de controlo dos sintomas comuns da doença (alguns deles podem ser aplicados a outras formas de demência).

Perda de Memória – É normal esquecer ocasionalmente reuniões, nomes de colegas de trabalho, números de telefone de amigos, e lembrar-se deles mais tarde. Uma pessoa com a Doença de Alzheimer esquece-se das coisas com mais frequência, mas não se lembra delas mais tarde, em especial dos acontecimentos mais recentes.

Dificuldade em executar as tarefas domésticas – As pessoas muito ocupadas podem temporariamente ficar tão distraídas que chegam a deixar as batatas no forno e só se lembrarem de as servir no final da refeição. O doente de Alzheimer pode ser incapaz de preparar qualquer parte de uma refeição, ou esquece-se de que já comeu.

Problemas de linguagem – Toda a gente tem por vezes dificuldade em encontrar a palavra certa. Porém, um doente de Alzheimer pode esquecer mesmo as palavras mais simples ou substituí-las por palavras desajustadas, tornando as suas frases de difícil compreensão.

Perda da noção do tempo e desorientação – É normal perdermos – por um breve instante – a noção do dia da semana ou esquecermos o sítio para onde vamos. Porém, uma pessoa com a DA pode perder-se na sua própria rua, ignorando como foi dar ali ou como voltar para casa.

Discernimento fraco ou diminuído – As pessoas podem por vezes não ir logo ao médico quando têm uma infecção, embora acabem por procurar cuidados médicos. Um doente de Alzheimer poderá não reconhecer uma infecção como algo problemático, e não ir mesmo ao médico, ou então vestir-se desadequadamente, usando roupa quente num dia de Verão.

Problemas relacionados com o pensamento abstracto – Por vezes, as pessoas podem achar que é difícil fazer as contas dos gastos, mas alguém com a DA pode esquecer completamente o que são os números e o que tem de ser feito com eles. Festejar um aniversário é algo que muitas pessoas fazem, mas o doente de Alzheimer pode não compreender sequer o que é um aniversário

Trocar o lugar das coisas – Qualquer pessoa pode não arrumar correctamente a carteira ou as chaves. Um doente de Alzheimer pode pôr as coisas num lugar desajustado: um ferro de engomar no frigorífico ou um relógio de pulso no açucareiro.

Alterações de humor ou comportamento – Toda a gente fica triste ou mal-humorada de vez em quando. Alguém com a DA pode apresentar súbitas alterações de humor – da serenidade ao choro ou à angústia – sem que haja qualquer razão para tal facto.

Alterações na personalidade – A personalidade das pessoas pode variar um pouco com a idade. Porém, um doente com Alzheimer pode mudar totalmente, tornando-se extremamente confuso, desconfiado ou calado. As alterações podem incluir também apatia, medo ou um comportamento inadequado.

Perda de iniciativa – É normal ficar cansado com o trabalho doméstico, as actividades profissionais do dia a dia, ou as obrigações sociais; porém, a maioria das pessoas recupera a capacidade de iniciativa. Um doente de Alzheimer pode tornar-se muito passivo, e necessitar de estímulos e incitamento para participar.



Como pode ajudar a Terapia Ocupacional?

A intervenção da Terapia Ocupacional na DA tem como objectivo maximizar a funcionalidade, autonomia e qualidade de vida do paciente, bem como fornecer (in)formação aos prestadores de cuidados.

Procurando prevenir a deterioração das competências cognitivas, sensorio-motoras e sociais do indivíduo, assim como compensar défices já instalados, o terapeuta ocupacional, juntamente com os prestadores de cuidados, pretende proporcionar um ambiente seguro e adequado à condição específica do paciente.



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quarta-feira, 11 de março de 2009

Terapia Ocupacional na Reabilitação de Fracturas dos Ossos do Carpo




FRACTURA DOS OSSOS DO CARPO



Sendo na sua maioria de natureza intra-articular podendo levar a rigidez devido à formação de aderências ou retracções capsololigamentares. A articulação do carpo é especialmente rica em tecidos conjuntivos em decorrência da grande presença ligamentosa. Como exemplo a fractura do escafóide, que é o segundo maior osso do carpo, que ocupa espaço nas duas fileiras apresenta maior índice de fracturas, é o principal osso no bloqueio da extensão extrema do punho, tornando-o vulnerável às lesões, possui uma ampla curvatura próximal, uma delicada curvatura articular distal, e uma superfície articular plana no pólo proximal.

A fractura do escafóide é considerada de difícil diagnóstico. Quando não diagnosticada ou tratada inadequadamente tem alta probabilidade de evoluir para pseudo-artrose, sendo um osso de vascularização proximal pobre dificulta sua consolidação, aumentando o risco de necrose avascular e pseudo-artrose no caso de fracturas.
As fracturas do escafóide são classificadas conforme a estabilidade, o traço e a localização anatómica das fracturas. Podendo ser classificadas também pelo tempo de lesão, e são:
- Agudas – com menos de três meses de evolução;
- Com atraso da Consolidação: entre três e seis meses pós fractura; e
- Pseudo-artrose: há mais de seis meses.

Devido à pobre vascularização do osso, a reabilitação da mão nas fracturas do escafóide deve ser feita com muita cautela, até evidências radiográficas da consolidação óssea.
Como exemplo, temos as seguintes fracturas do carpo:

- FRACTURAS DO SEMILUNAR: é o segundo osso na frequência das fracturas do carpo, na maioria dos casos é por avulsão;

- FRACTURAS DO PIRAMIDAL: é associada geralmente há outras lesões carpais, o mecanismo de fractura é por avulsão ou excessiva extensão do punho e desvio cubital.

- FRACTURAS DO TRAPÉZIO: o trapézio permite a rotação do metacarpo no movimento de oponência do polegar, mecanismo de fractura é a queda com o punho em hiperextensão.

- FRACTURAS DO UNCIFORME: o unciforme articula-se com o quarto e quinto metacarpo, mecanismo de fractura a queda do punho estendido ou de golpe directo no lado unar do gancho do amato.

- FRACTURAS DO PISIFORME: é o menor osso do carpo, possui múltiplas inserções, mecanismos de lesão é por trauma directo na região volar do punho, ou por avulsão devido à forte tracção do flexor unar do carpo contra uma grande resistência.

- FRATURAS DO GRANDE OSSO: é o maior osso do carpo, ocupa o centro do carpo, mecanismo de lesão pode ser directo no dorso do punho em extensão ou na cabeça do segundo e terceiro metacarpos, com o punho em flexão.

- FRACTURAS DO TRAPEZÓIDE: se articula com o escafóide proximalmente, e capitato medialmente, o trapézio lateralmente e o segundo metacarpo distalmente é o menos lesado, mecanismo de lesão são fracturas estáveis e de deslocamento.

REABILITAÇÃO

São realizadas por intermédio de tratamento conservador, que são divididas em três partes que são:

- FASE PRECOCE – do dia da lesão até retirar a imobilização;

- FASE INTERMEDIA - após retirar a imobilização;

- FASE FINAL - recuperação da função, essa fase é caracterizada pela consolidação completa do osso fracturado. As técnicas de alongamento e o programa de fortalecimento são, portanto, iniciados. São utilizadas órteses dinâmicas para extensão e/ou flexão do punho, que podem ser indicadas nos casos de rigidez articular persistente.

REABILITAÇÃO NO PRÉ-OPERATÓRIO DAS FRATURAS DO CARPO.

São realizados procedimentos para ganho A.D.M., articular com exercícios activos assistidos.

REABILITAÇÃO NO PÓS-OPERATÓRIO.

Nas primeiras seis semanas, o foco de fractura não pode ser sobrecarregado, são indicados assim actividades funcionais leves. Quando a fractura for estabilizada com fios de Kirschner ou outro tipo de estabilização sem compressão, a reabilitação irá iniciar-se somente após quatro semanas.

Após retirar os pontos o tratamento da cicatriz é iniciado através de massagens para minimizar a hipersensibilidade.



MOBILIZAÇÃO ARTICULAR DO CARPO

É fundamental no processo de reabilitação, pois a dor após as lesões do carpo é um constante desafio na recuperação dos movimentos.

A mobilização articular é um recurso cinesioterapeutico aplicado directamente na articulação rígida, e é caracterizada como um movimento passivo pelo terapeuta com velocidade suficientemente baixa para movimentação do paciente.


BIBLIOGRAFIA
FREITAS, Paula Pardini. Reabilitação da Mão. São Paulo: Editora Atheneu, 2005. 578p.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Fibromialgia

A Fibromialgia é uma síndrome crónica caracterizada por dor músculo-esquelética difusa, presente pelo menos 3 meses e pela presença de pontos dolorosos em regiões anatomicamente determinadas – pelo menos 11 dos 18 Trigger Points.

A sua etiologia ainda é desconhecida. Sabe-se que vários factores contribuem para a sua ocorrência, mas não há um agente que possa ser responsabilizado como causador.

Existem outras manifestações associadas, tais como: fadiga crónica, distúrbios do sono, rigidez muscular, parestesias, cefeleias, síndrome do cólon irritável, fenómeno de Raynaud (vasoconstrição que causa descoloração dos dedos das mãos e pés e ocasionalmente outras extremidades), assim como a presença de distúrbios psicológicos, em especial ansiedade e depressão.

A fibromialgia não é uma doença psicossomática nem do foro psiquiátrico; não provoca comprometimento das articulações nem deformações de qualquer género para além de não ser um problema transmissível. No entanto a fibromialgia consegue ser demasiado debilitante quer a nível físico quer psicológico incapacitando muitas vezes a pessoa quer para a sua vida profissional, social ou familiar, podendo mesmo incapacitá-la para as rotinas mais simples do seu dia a dia.

Apesar disso, a aparência da pessoa com fibromialgia é completamente normal, razão pela qual este problema foi bastante ignorado durante anos pela maioria dos profissionais de saúde que frequentemente atribuíam tal problema apenas à cabeça da pessoa.

Isso também porque todos os exames e análises não mostravam (nem mostram) qualquer alteração existente nas pessoas que sofrem de fibromialgia em relação às pessoas ditas normais.

Felizmente que hoje com a divulgação da fibromialgia e de todo o problema, começa a surgir uma grande compreensão quer da parte dos profissionais de saúde quer da parte dos familiares encontrando-se hoje em dia a pessoa muito mais apoiada e acompanhada por todos aqueles que de alguma forma a tentam ajudar.



Em que pode ajudar um Terapeuta Ocupacional?

Os Terapeutas Ocupacionais têm uma formação que lhes permite intervir ao nível da reabilitação física e mental, oferecendo um vasto leque de serviços, nomeadamente:
  • Avaliar a forma como executa as suas tarefas diárias e analisar se estas estão a contribuir para o deteriorar do seu estado de saúde;
  • Ensinar técnicas de relaxamento muscular, formas de lidar com situações de stress, técnicas de gestão da dor e organização das suas rotinas mediante o seu nível de funcionalidade;
  • Se o seu trabalho ou actividades de casa aumentam a dor no pescoço, costas e membros, o Terapeuta poderá fornecer dicas para desempenhar as tarefas reduzindo a tensão muscular;
  • Programar exercícios terapêuticos com o objectivo de melhorar a função dos membros e reduzir a dor.
É também de salientar todas as técnicas que reduzem a tensão acumulada nos Trigger Points, contribuindo assim para o alívio da dor. Os exercícios de alongamento muscular também são bastante eficazes na melhoria da dor. É essencial que se faça sempre uma adaptação dos exercícios de acordo com a dor referida pela cliente.

Enquanto a etiologia da fibromialgia não é descoberta, os tratamentos propostos para o controlo dos sintomas constituem a única forma de amenizar o impacto da síndrome. No entanto, há melhorias bastante significativas (alguns autores afirmam haver cura para esta sindrome).

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Espasticidade

Desde a antiguidade sabe-se que algumas formas de paralisia são acompanhadas de “enrijecimento” dos membros, constituindo o que hoje denominamos por paralisias espásticas. A espasticidade caracterize-se pela dificuldade de se movimentar passivamente uma articulação, devido à intensa contracção dos músculos que normalmente a mobilizam, e pela tendência a voltar imediata para a posição original quando cessa a força imposta externamente. A rigidez, tão característica da doença de Parkinson, ao contrário, faz com que persista a nova posição de uma articulação mobilizada passivamente, quando cessa a força que a movimentou.


Quando a espasticidade afecta um lado do corpo denomina-se hemiplegia espástica. Ao caminhar, o hemoplégico não consegue flectir o membro inferior afectado (padrãode flexão no membro superior e de extensão no membro inferior), o que o leva a executar um movimento em arco, dirigindo primeiro para fora e em sequência para dentro. Somente com este moviemnto o paciente consegue mover o membro para diante.







Quando ocorre paralisia bilateral denomina-se paraplegia espástica. Nas formas graves e de instalação na infência a forte espasticidade dos adutores das coxas compromete de modo mais acentuado a marcha porque força a adução das pernas quando o corpo é propelido para a frente, originando o padrão conhecido por marcha em tesoura.


Quando a paralisia afecta os quatro membros denomina-se tetrapelgia espástica.





Clinicamente a espasticidade caracteriza-se por vários fenómenos peculiares:


  1. Ela nunca afecta um só musculo, englobando sempre grupos musculares;
  2. Os músculos espásticos são salientes na massa muscular e parecem muito firmes à palpação, devido à sua contracção, que é em geral forte e persistente;
  3. Tentando-se estirar uma articulação, os músculos comportam-se como uma mola, tendendo sempre a voltar automaticamente à posição anterior;
  4. Quando se consegue dobrar uma articulação, a resistência muscular é de inicio muito forte, porém no final cede de forma brusca (sinal de canivete);
  5. Quando se tenta dobrar a articulação lentamente, o músculo espástico cede também devagar mas se a manobra é rápida a resistência aumenta;
  6. Percutindo-se o seu tendão para provocar uma reflexo miotático (ou de estiramento), o musculo contrai-se mais intensa e rapidamente do que o normal (hiper-reflexia), uma das mais claras e precoces manifestações de espasticidade;
  7. Se esta é muito intensa, o estiramento mantido de um músculo pode desencadear movimentos e regularmente rítmicos denominado de clono;
  8. Quando a espasticidade é muito intensa os reflexos do estiramento podem ser desencadeados mesmo quando se percutem regiões distantes alguns centímetros dos tendões (aumento da área relexógena);
  9. A estimulação da borda externa da planta do pé de um membro inferior espástico provoca a extensão lenta do primeiro dedo (sinal de Babinski); no membro superior ocorre manifestação homóloga (Sinal de Hoffmann).

No que diz respeito ao tratamento, as medidas iniciais a tomar são o posicionamento adequado do paciente evitando posturas viciosas, e a instituição precoce da mobilização passiva das articulações. O objectivo destas manobras é evitar o estiramento dos músculos e evitar as contracturas. Com essa mesma finalidade podem-se também empregar vários tipos de ortóteses que mantêm a posição desejada e facilitam a mobilização. A seguir é conveniente efectuar diferentes técnicas, usadas geralmente em associação ao tratamento medicamentoso e, quando necessário, cirúrgico.

Para o tratamento podemos recorrer a diversas técnicas:
  • Técnicas de Bobath
  • PNF
  • Margaret Johnstone
  • Mobilização passiva / activa
  • Termoterapia
  • Estimulação eléctrica
  • Vibração
  • ...

FONTE: Reabilitação em Doenças Neurológicas - Guia de Tratamento Prático

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Artroplastia Total da Anca



A coxartrose (artrose da anca) é uma das causas mais frequentes de incapacidade nas populações de cariz ocidental, mas rara nos povos asiáticos. A diferença pode derivar apenas dos diferentes hábitos posturais.

Os sitomas característicos são a dor, perda de mobilidade da anca e a claudicação na marcha:
  • Dor - A dor é agravada pela carga e pelo movimento da anca, mas também aparece em repouso perturbando o sono. È uma dor inicialmente esbatida que se vai agravando com o progresso da artrose. É sentida na virilha, mas irradia pela coxa indo muitas vezes fixar-se próximo ao joelho ou ao seu redor, ao ponto de muitos doentes estarem convictos que o padecimento deriva dessa articulação.

  • Perda de Mobilidade - A formação de osteófitos vai alterando a forma e relação das superfícies articulares e limitando o movimento em certas direcções. À medida que o movimento articular se vai perdendo, certos movimentos do quotidiano tornam-se difíceis ou impossíveis. Com a progressão da doença, surge uma deformidade irredutível em flexão, adução e rotação externa.

  • Marcha Claudicante - A claudicação é devida, em parte, à limitação da mobilidade e, em parte, à tentativa antálgica de limitar a transferência de carga para o membro afectado. A claudicação é, sobretudo, notada por terceiros, mais que pelo próprio.

A substituição protésica total da anca é hoje a operação mais utilizada para o tratamento cirúrgico da coxartrose. Os resultados a curto e médio prazo, são bons ou excelentes em cerca de 90% dos doentes. A melhoria é sobretudo na dor e, em grau menor, na mobilidade.

A operação consiste na substituição da superfície articular do acetábulo e do fémur por materiais artificiais. A intervenção pode ser executada de vários modos e por várias abordagens.

Após a colocação de uma prótese da anca, existem cuidados que se devem ter em conta. Caso isso não aconteça, pode ocorrer luxação da prótese.

Não deverá efectuar os seguintes movimentos
(Flexão acima dos 90º; Adução; Rotação Externa)




Quando apanhar os objectos do chão não deverá fazer flexão das pernas, mas sim, flectir a perna boa e manter em extensão a operada. Deverá estar apoiado.




No desempenho das actividades da vida diária, deverá recorrer ao uso de algumas ajudas tacnicas, de modo a evitar os movimentos indesejados.







Luis Alvim Serra, Critérios Fundamentais em Fracturas e Ortopedia, 2001

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Plineuropatia Amiloidótica Familiar, Paramiloidose, Doença dos Pezinhos



Polineuropatia Amiloidótica Familiar (PAF), Paramiloidose, Doença dos Pezinhos ou ainda Doença de Corino de Andrade são as diversas formas de nos referirmos a esta doença descoberta pela primeira vez em Portugal, com maior frequência no norte do país. É reconhecida actualmente por todo o mundo.

Existem 4 tipos de PAF:

  • PAF tipo I, de Andrade ou tipo Português

  • PAF tipo II, de Rukovina ou tipo Indiana

  • PAF tipo III, de Van Alien ou tipo Iowa

  • PAF tipo IV, de Meretoja ou tipo Finlandês

A PAF é uma patologia neurológica, que resulta da alteração na estrutura de uma proteína – transtirretina (TTR), consequência de uma mutação no seu gene, que está localizado ao nível do cromossoma 18. È hereditária de transmissão autossómica dominante, ou seja, em caso de:

  • Progenitores Homozigóticos (2 alelos mutados): os descendentes têm 100% de probabilidade de contrair a doença.

  • Progenitores Heterozigótico (apenas 1 alelo mutado): os descendentes têm 50% de probabilidade de contrair a doença.

Os homozigóticos e heterozigóticos não apresentam diferenças nos sintomas, mas também pode haver homozigóticos assintomáticos. A maior parte dos doentes são heterozigóticos.

É uma doença congénita que afecta o sistema nervoso periférico nas suas vertentes motora, sensitiva e autonómica. Esta tem idade de início entre os 20 e 35 anos, inicia-se nos membros inferiores (por isso a designação de doença dos “pezinhos”), afectando a sensibilidade aos estímulos, a capacidade motora, sendo fatal, com evolução em média, em 10 a 15 anos.

Todas as manifestações da PAF traduzem a degenerescência progressiva dos nervos.
Todas as fibras nervosas são atingidas e condicionam o quadro clínico da PAF:

  • Fibras Sensitivas (Perda progressiva da sensibilidade, primeiro a dor e temperatura, depois táctil, vibratória e articular);

  • Fibras Motoras (Atrofia muscular, Abolição dos reflexos tendinosos, Marcha em steppage);

  • Fibras Autonómicas (Perturbações oculares, perturbações cardiovasculares, perturbações gastrointestinais, perturbações genito-urinárias), etc.

No estadio final, o doente encontra-se acamado ou numa cadeira de rodas, apresentando de uma forma geral, fraqueza muscular, atrofias, e caminhando inexoravelmente para a morte por caquexia e/ou infecções intercorrentes.

A PAF é uma doença incurável e progressiva em todas as dimensões – biológica, psicológica, sociológica, cultural e espiritual - que modelam o Ser Humano são afectadas.

Como medidas terapêuticas na PAF, temos:

  • Pace-Maker – As alterações do ritmo cardíaco e da condução originam disritmias graves conduzindo inexoravelmente para a necessidade de pacemaker definitivo.
  • Imunodepuração – Após o desenvolvimento laboratorial da Imunodepuração da TTR circulante no final dos anos 80, deu-se em início de 1993, a um programa de ensaios clínicos que consiste na filtração do sangue do doente, retirando a TTR met 30 através do uso de anticorpos monoclonais que se ligam à proteína anómala.


  • Transplante Hepático – O transplante hepático é uma hipótese Terapêutica, iniciada por Holmgren na Suécia em 1991 e entre nós pela Unidade de Transplante Hepático do Curry Cabral em 1992, com resultados encorajadores, sobretudo quando efectuado em fase relativamente precoce da doença.
    O objectivo do transplante hepático reside na não evolução da sintomatologia da PAF, já que permite substituir o principal órgão produtor da proteína anómala.
    No entanto, não se trata de uma terapêutica curativa.



Centro de estudos e apoio à paramiloidose

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Artrite Reumatóide

A Artrite Reumatóide (AR) é o segundo tipo de artrite mais comum (o mais comum é a osteoartrose). É uma doença generalizada do tecido conjuntivo que afecta a pele, vasos, pulmões e outros órgãos, mas é mais pronunciada nas articulações (Seeley & Tate, 2003).

Esta doença atinge indivíduos de todas as idades, alcançando o seu pico na mulher entre os 45-55 anos e no homem um pouco mais tardiamente. É portanto uma doença que afecta adultos no pico da sua actividade laboral.

A causa inicial é desconhecida mas pode consistir numa infecção transitória ou doença auto-imune que se desenvolve contra o colagénio. Pode também haver uma predisposição genética. Seja qual for a causa, em última instância parece ser imunológica. As pessoas com AR clássica têm no sangue uma proteína, o factor reumatóide. As células do líquido sinovial e tecido conjuntivo associado proliferam, formando um “pannus” (camada grossa como as dos tecidos das roupas) que leva ao espessamento da cápsula articular e destrói a cartilagem articular. Na artrite reumatóide juvenil, o factor reumatóide não é encontrado no soro (Seeley & Tate, 2003).

Actualmente e desde 1987 utilizam-se os critérios de classificação do Colégio Americano de Reumatologia que são os seguintes:

  1. Rigidez articular matinal de duração superior a 1 hora
  2. Artrite pelo menos em três regiões articulares
  3. Artrite das mãos (pelo menos uma das seguintes áreas: punho, metacarpo-falângicas, inter-falângicas proximais)
  4. Envolvimento articular simétrico
  5. Nódulos subcutâneos
  6. Presença no soro de factor reumatóide
  7. Alterações radiográficas típicas

A confirmação do diagnóstico da AR faz-se quando estão presentes 4 destes 7 critérios.

A AR, pode ter um efeito devastador na vida diária , quer pelo impacto directo nas actividades diárias, profissionais, familiares e sociais dos doentes, quer pelo impacto psicológico gerado pela incapacidade, frustração e depressão que gera.

Assim, os objectivos da Terapia Ocupacional no tratamento dos utentes com AR dependem dos problemas, das necessidades e interesses de cada um, bem como do estádio de evolução da doença. Contudo, em geral, alguns dos objectivos a considerar serão:

  • Prevenir deformidades
  • Manter ou aumentar a autonomia
  • Manter ou aumentar a habilidade em tarefas funcionais
  • Estimular as competências psicossociais
  • Diminuir a tensão emocional e muscular
  • Educar a família
  • Educar o utente

Para que estes dois últimos pontos sejam exequíveis, devem-se ensinar estratégias de conservação de energia e de protecção articular.

Exemplo:

Utilize alavancas maiores pois diminuem a carga nas articulações

Coloque as articulações em posições neutras e divida o peso pelas articulações

Faça pinças mais grossas, assim evita maior carga sobre as articulações

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Função Sexual - LVM

No seguimento do artigo anterior, gostaria de sugerir a consulta do link abaixo referido. Acho que, além de complementar a informação anterior também poderá ajudar as pessoas que necessitem de esclarecer algumas das suas dúvidas. Espero que seja útil...


http://www.scml.pt/media/revista/rev_20/sexualidade.pdf

.

domingo, 16 de novembro de 2008

Função Sexual em Lesões Vertebro Medulares

É importante que todo este processo tenha aconselhamento
e acompanhamento médico


Muitas pessoas associam lesão medular à perda da função sexual, particularmente em homens, mas na verdade, paralisia hoje em dia não significa o fim de relacionamento sexual.

A sexualidade é muito mais que um acto sexual, pois envolve partilha de sentimentos, traduzindo ternura, desejo de dar e receber prazer, formas de comunicação verbal e não verbal, transmitida através de cognições e comportamentos que vão da influência interpessoal ao prazer. Muitas vezes a única visão existente sobre sexualidade é que ela se reduz o coito. Isto acontece por variadíssimas razões, nomeadamente imaturidade, motivos culturais etc. podendo, nestes casos, não haver lugar para o afecto, a ternura, a sedução e as carícias.


O acto sexual no homem consiste na erecção, ejaculação e orgasmo. A possibilidade de erecção depende do nível da lesão e desta ser completa ou incompleta. Existem dois centros medulares que controlam a erecção: o dorso-lombar (D11 a L1) responsável pela erecção psicogénica (a que ocorre em resposta a pensamentos eróticos), e o sagrado (S2, S3 e S4), pela erecção reflexogénica (a que ocorre por estimulação directa dos órgãos sexuais). A maior parte dos homens com lesão medular são capazes de ter algum tipo de erecção. As lesões da região sagrada são as únicas que eliminam a capacidade do homem de conseguir qualquer tipo de erecção. Geralmente, quanto mais alto for o nível da lesão, mais normal poderá ser o funcionamento sexual. A maioria dos homens com lesão medular não tem erecção psicogénica mas consegue ter erecção reflexogénica . (Alves et al,2001)

No entanto, quando não é possivel a obtenção de qualquer destes tipos de erecção, existem algumas alternativas:



Bombas de Vácuo e Aneis de Constrição

Talvez o mais simples método de produzir uma ereção seja o de usar uma bomba de vácuo que se adapte ao pênis e que traga sangue para dentro dele por meio de sucção. Este método é muito efetivo e traz resultados satisfatórios em 80 a 90% dos homens que o utilizam, sendo que, além de tudo, é um método completamente não invasivo. Cuidados devem ser tomados para se evitar a formação do anel constritivo por mais de meia hora de cada vez, prevenindo assim, o risco de se formarem coágulos dentro do pénis.

Bomba de Vácuo

1 – Introdução 2 – Aspiração 3 – Colocação do anel 4 – Retirada da bomba de vácuo.
O pénis é colocado dentro do cilindro de plástico que fica com os bordos encostados à pele, utilizando gel lubrificante para melhor fazer a união. Uma bomba operada manualmente ou por pilha é utilizada para retirar o ar do cilindro e obrigar o sangue a entrar no pénis e a produzir rigidez. Retira-se então um elástico do cilindro e coloca-se na base do pénis de forma a não permitir a saída do sangue e a manter a erecção. O cilindro é então retirado. O elástico pode ficar durante 20 a 30 minutos em segurança e manterá a erecção até ser removido


Injecções Intracavernosas

Outro método para produzir uma ereção é injectar uma pequena quantidade de droga, directamente no pénis, para aumentar o fluxo sanguíneo. "Essencialmente, essa injecção faz o mesmo papel que os nervos fariam sobre os vasos sanguíneos" diz Berger, do Departamento de Medicina Física da Universidade de Washington. "Uma pequena agulha de insulina (da mesma utilizada pelos diabéticos) é utilizada no processo e, mesmo para homens com alguma sensação, não é muito doloroso."

Assim como no método de sucção/constrição, a dose da medicação deve ser ajustada para agir somente durante 30 minutos, para evitar o perigo de uma erecção muito prolongada. "As primeiras injeções são aplicadas numa clínica para que seja estabelecida a dosagem correcta", diz Berger. Injecções no pénis podem ser utilizadas somente uma vez por dia e existe o risco de causar ferimento. A droga funciona em 60-70% dos casos em que é utilizada.

Injecção intracavernosa de substância vasoactiva


Próteses Penianas

Implantes penianos são também úteis para homens que tem problema com o uso de catéter de borracha e apresentam retração peniana. No entanto, a colocação de um implante peniano danifica o tecido eréctil do pénis. Se um implante for removido, o tecido não funcionará tão bem como funcionava antes do implante ser colocado.


Próteses maleáveis simples. Colocam-se dois cilindros sintéticos dentro do pénis através de cirurgia. Estes cilindros tornam o pénis suficientemente rijo para a penetração. Existem vários tipos de próteses e as próteses maleáveis simples são as mais baratas apesar de terem a desvantagem de manterem o pénis num estado permanente de semi-rigidez.




Próteses insufláveis. As próteses insufláveis consistem num mecanismo de bomba e num reservatório para além dos cilindros penianos. Dão melhores resultados e um aspecto mais natural ao pénis. Apesar dos implantes terem o risco de infecção (especialmente nos diabéticos) ou de avaria mecânica, a taxa de falhanços é actualmente muito baixa e as complicações sérias são pouco comuns.



ALVES, Mª Célia; SOUSA, Mª do Rosário; PINTO, Manuel A.S. – Cuidados de Enfermagem à Pessoa com Traumatismo Vértebro Medular. In: PADILHA, José Miguel [et al]. – Enfermagem em Neurologia. Coimbra: Formasau – Formação e saúde, Lda, 2001

Departamento de Medicina Física da Universidade de Washington

sábado, 8 de novembro de 2008

Doença de Huntington

A Doença de Huntington (DH) é uma doença degenerativa que afecta o sistema nervoso central e provoca coreia (movimentos involuntários dos braços, das pernas e do rosto). É uma doença hereditária, causada por uma mutação genética, tendo o filho(a) da pessoa afectada 50% de probabilidades de a desenvolver. Se um descendente não herdar o gene da doença, não a desenvolverá nem a transmitirá à geração seguinte. Afecta pessoas de todas as raças, em todo mundo (5 a 10 pessoas em cada 100 mil).

Esta doença provoca vários sintomas que advêm da degeneração das células cerebrais:

  • Sintomas Emocionais / Comportamentais: Depressão, irritabilidade, ansiedade e apatia são frequentemente encontrados na DH. Algumas pessoas podem ficar em depressão por um período de meses ou mesmo anos antes que isto seja reconhecido como um sintoma inicial. Mudanças comportamentais podem incluir explosões agressivas, impulsividade, mudança de humor e afastamento social.
  • Sintomas Cognitivos / Intelectuais: Mudanças intelectuais leves são os primeiros sinais de perturbação cognitiva. Elas podem envolver habilidade reduzida para organizar assuntos de rotina, ou para lidar efectivamente com situações novas. A memória também é alterada, os doentes têm um envelhecimento precoce mental. As tarefas de trabalho tornam-se mais difíceis.
  • Sintomas Motores: Os sintomas físicos podem, inicialmente, consistir de inquietação, contracções musculares ou agitação excessiva. A escrita pode mudar. As habilidades do dia-a-dia envolvendo coordenação e concentração, tal como conduzir, tornam-se mais difíceis. Esses sintomas iniciais evoluem gradualmente para movimentos involuntários (coreia) mais marcados da cabeça, tronco e membros - que frequentemente levam a problemas para andar e manter o equilíbrio. A fala e a deglutição podem ficar prejudicadas. Os movimentos em geral tendem a aumentar durante esforço voluntário, stress ou excitação, e diminuir durante o descanso e o sono.

O doente, inicialmente, tem uma vida normal sem sequer se aperceber da doença. A partir do momento em que aparecem os sintomas e se realizam os exames médicos, o paciente terá mais dificuldades e necessitará da ajuda de terceiros.

Com a evolução da doença, o indivíduo irá ficar com faltas de memória, terá dificuldade em alimentar-se, a andar, visto que os movimentos se tornam descoordenados e a sua maneira de ser irá mudar ficando agressivo e irritado.


A DH é uma doença fatal que se desenvolve gradualmente. A duração média da doença é de 15 a 20 anos, mas isto varia de pessoa para pessoa. A maioria dos indivíduos com DH não morre como resultado imediato da doença, mas sim de complicações causadas pelo estado de fragilidade do corpo, particularmente por asfixia em consequência de o doente se engasgar, por infecções (por exemplo pneumonia) e por paragem cardíaca.


Na fase final da doença, o indivíduo não pode viver sozinho, nem sequer consegue andar, por isso é que os doentes acabam por morrer devido a lesões de quedas graves.

Não há nenhum tratamento para impedir completamente a progressão da doença, mas certos indícios podem ser reduzidos ou aliviados através da utilização de medicação e métodos cuidados.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Hemiplegia / Paraplegia

Tendo em conta algumas dúvidas que surgiram relativamente ao último artigo, coloquei dois filmes que são bastantes elucidativos de como uma pessoa com hemiplegia se pode vestir sozinha (peço desculpa o idioma, mas não encontrei noutro!).
No entanto, devo explicar que nem todas as pessoas que têm uma hemiplegia o poderão fazer. É necessária a aquisição/manutenção de algumas competências para que possam desempenhar actividades.
Não sei se será o caso, mas é importante não confundir hemiplegia com paraplegia:
Hemiplegia - Paralisia da metade direita ou esquerda do corpo
Paraplegia - Paralisia dos dois membros inferiores

Hemiplegia - como vestir 02

Hemiplegia - como vestir 01