domingo, 16 de novembro de 2008

Função Sexual em Lesões Vertebro Medulares

É importante que todo este processo tenha aconselhamento
e acompanhamento médico


Muitas pessoas associam lesão medular à perda da função sexual, particularmente em homens, mas na verdade, paralisia hoje em dia não significa o fim de relacionamento sexual.

A sexualidade é muito mais que um acto sexual, pois envolve partilha de sentimentos, traduzindo ternura, desejo de dar e receber prazer, formas de comunicação verbal e não verbal, transmitida através de cognições e comportamentos que vão da influência interpessoal ao prazer. Muitas vezes a única visão existente sobre sexualidade é que ela se reduz o coito. Isto acontece por variadíssimas razões, nomeadamente imaturidade, motivos culturais etc. podendo, nestes casos, não haver lugar para o afecto, a ternura, a sedução e as carícias.


O acto sexual no homem consiste na erecção, ejaculação e orgasmo. A possibilidade de erecção depende do nível da lesão e desta ser completa ou incompleta. Existem dois centros medulares que controlam a erecção: o dorso-lombar (D11 a L1) responsável pela erecção psicogénica (a que ocorre em resposta a pensamentos eróticos), e o sagrado (S2, S3 e S4), pela erecção reflexogénica (a que ocorre por estimulação directa dos órgãos sexuais). A maior parte dos homens com lesão medular são capazes de ter algum tipo de erecção. As lesões da região sagrada são as únicas que eliminam a capacidade do homem de conseguir qualquer tipo de erecção. Geralmente, quanto mais alto for o nível da lesão, mais normal poderá ser o funcionamento sexual. A maioria dos homens com lesão medular não tem erecção psicogénica mas consegue ter erecção reflexogénica . (Alves et al,2001)

No entanto, quando não é possivel a obtenção de qualquer destes tipos de erecção, existem algumas alternativas:



Bombas de Vácuo e Aneis de Constrição

Talvez o mais simples método de produzir uma ereção seja o de usar uma bomba de vácuo que se adapte ao pênis e que traga sangue para dentro dele por meio de sucção. Este método é muito efetivo e traz resultados satisfatórios em 80 a 90% dos homens que o utilizam, sendo que, além de tudo, é um método completamente não invasivo. Cuidados devem ser tomados para se evitar a formação do anel constritivo por mais de meia hora de cada vez, prevenindo assim, o risco de se formarem coágulos dentro do pénis.

Bomba de Vácuo

1 – Introdução 2 – Aspiração 3 – Colocação do anel 4 – Retirada da bomba de vácuo.
O pénis é colocado dentro do cilindro de plástico que fica com os bordos encostados à pele, utilizando gel lubrificante para melhor fazer a união. Uma bomba operada manualmente ou por pilha é utilizada para retirar o ar do cilindro e obrigar o sangue a entrar no pénis e a produzir rigidez. Retira-se então um elástico do cilindro e coloca-se na base do pénis de forma a não permitir a saída do sangue e a manter a erecção. O cilindro é então retirado. O elástico pode ficar durante 20 a 30 minutos em segurança e manterá a erecção até ser removido


Injecções Intracavernosas

Outro método para produzir uma ereção é injectar uma pequena quantidade de droga, directamente no pénis, para aumentar o fluxo sanguíneo. "Essencialmente, essa injecção faz o mesmo papel que os nervos fariam sobre os vasos sanguíneos" diz Berger, do Departamento de Medicina Física da Universidade de Washington. "Uma pequena agulha de insulina (da mesma utilizada pelos diabéticos) é utilizada no processo e, mesmo para homens com alguma sensação, não é muito doloroso."

Assim como no método de sucção/constrição, a dose da medicação deve ser ajustada para agir somente durante 30 minutos, para evitar o perigo de uma erecção muito prolongada. "As primeiras injeções são aplicadas numa clínica para que seja estabelecida a dosagem correcta", diz Berger. Injecções no pénis podem ser utilizadas somente uma vez por dia e existe o risco de causar ferimento. A droga funciona em 60-70% dos casos em que é utilizada.

Injecção intracavernosa de substância vasoactiva


Próteses Penianas

Implantes penianos são também úteis para homens que tem problema com o uso de catéter de borracha e apresentam retração peniana. No entanto, a colocação de um implante peniano danifica o tecido eréctil do pénis. Se um implante for removido, o tecido não funcionará tão bem como funcionava antes do implante ser colocado.


Próteses maleáveis simples. Colocam-se dois cilindros sintéticos dentro do pénis através de cirurgia. Estes cilindros tornam o pénis suficientemente rijo para a penetração. Existem vários tipos de próteses e as próteses maleáveis simples são as mais baratas apesar de terem a desvantagem de manterem o pénis num estado permanente de semi-rigidez.




Próteses insufláveis. As próteses insufláveis consistem num mecanismo de bomba e num reservatório para além dos cilindros penianos. Dão melhores resultados e um aspecto mais natural ao pénis. Apesar dos implantes terem o risco de infecção (especialmente nos diabéticos) ou de avaria mecânica, a taxa de falhanços é actualmente muito baixa e as complicações sérias são pouco comuns.



ALVES, Mª Célia; SOUSA, Mª do Rosário; PINTO, Manuel A.S. – Cuidados de Enfermagem à Pessoa com Traumatismo Vértebro Medular. In: PADILHA, José Miguel [et al]. – Enfermagem em Neurologia. Coimbra: Formasau – Formação e saúde, Lda, 2001

Departamento de Medicina Física da Universidade de Washington

6 comentários:

Jorge Mendes disse...

Bom dia

Artigo cientifico bem documentado, bem justificado mas como o próprio indica as fontes são de 2001.

Hoje em dia a injecção para provocar a erecção é pouco usual por ser traumática.

A mesma foi substituída pelo medicamento oral conhecido como Viagra.

Conforme diz o artigo todas estas intervenções clínicas devem ter acompanhamento médico e obrigatoriamente acompanhamento psicológico.

Mais uma vez parabéns pela dedicação a este espaço que se torna muito útil como se tem visto

Susana disse...

Boa tarde

Pensei que tinha desistido.

Mais um artigo muito bom, não só para quem colocou a questão como para quem no

dia a dia trabalha com estes doentes.

Mais uma vez parabéns

Nuno disse...

Boa tarde

Quero agradecer o seu artigo, é bom sentir que alguém se preocupa com os nossos problemas.

Desde já muito obrigado.

Eu já li muitos artigos, e todos eles esbarram com a mesma informação “.. técnicas de terapia ocupacional...”

Pensei que havia técnicas bem definidas para se por em pratica.

Vou seguir mais uma vez o seu conselho vou falar com o meu medico e solicitar aconselhamento psicólogo.

Mais uma vez obrigado e desculpe se a constrangi com o meu problema

Jorge Mendes disse...

Boa tarde

Para que não haja dúvidas a cerca do meu comentário, e no seguimento de alguns comentários que ilustram já este blog, a dificuldade de se dar uma informação em ciência é muita.

O artigo exposto está muito bem elaborado. Muitas vezes as fontes de informação que temos ao dispor não são suficientes e por isso corremos o risco de dar uma informação desactualizada.

A observação que fiz diz precisamente isso ou seja que o artigo esta correcto só que hoje existe mais uma alternativa. Se calhar nesta mesma altura que estou a fazer esta afirmação a mesma caiu em desuso, mas este é o risco da ciência e quem trabalha com ela.

É por isso que falei na capacidade do Viagra. O viagra é importante pois vai bloquear a acção do PDE5 que é tão essencial. A droga possibilita o acúmulo de cGMP, que permite que uma erecção ocorra e se mantenha. Como o Viagra não relaxa o tecido eréctil directamente, na ausência de óxido nítrico e cGMP ele não tem nenhum efeito sobre a erecção. É por esta razão que a excitação deve ocorrer para o Viagra funcionar. E é por isso que o Viagra melhora o desempenho, mas não inicia, relações sexuais.

O artigo foca precisamente isso o sexo começa muito antes de uma erecção.

Quero concluir mais uma vez para que não haja qualquer dúvida que o artigo esta magnifico.

Susana disse...

Boa

Este jorge já se limpou.

Concordo com que ele disse.

Boa justificação

susana disse...

Ola

Já sentimos falta de artigo teu.

Vamos continuar aguardar.

Quando se é bom dá nisto,

dependencia